Onda de conservadorismo invade São Carlos e derruba o CORSO
São Carlos tem sido tomada por uma onda de conservadorismo pouco vista nas últimas semanas em decorrência de fatalidades que acometeram o CORSO, um evento dentro da grade de programação da TUSCA (Taça Universitária de São Carlos). Na carona do sensacionalismo dos meios de comunicação, as pessoas menos tolerantes e conservadoras “fizeram a festa” em uma onda de ódio declarado contra a comunidade universitária de São Carlos.
Durante o CORSO desde ano, um estudante de 23 anos morreu atropelado por um caminhão carregado de cervejas que acompanhava o trajeto do CORSO que teve saída da Avenida Getúlio Vargas, posteriormente, mais eventos teve associação com a Tusca como o atropelamento de uma senhora na Vila Marcelino e até mesmo furtos e violência barata foram associadas e amplamente difundidas.
A Prefeitura de São Carlos por sua vez deixou claro que a comissão organizadora cumpriu com todas as determinações legais para a realização do evento, destacou ainda que diante das críticas da população com relação as edições anteriores, este ano as exigências foram ainda maiores e mesmo assim cumpridas o que não impedia a prefeitura de negar a realização do evento. Mesmo assim, houve fatalidades e nesta semana o prefeito Oswaldo Barba, pressionado teve que declarar a proibição do CORSO em São Carlos, o que não acalmou ou agradou os mais radicais e barulhentos de São Carlos que desejam o fim de todos os eventos universitários de São Carlos.
Vala ressaltar que a Tusca é o maior evento universitário do Brasil e que São Carlos é um dos maiores pólos universitários do país, senão o maior do Estado de São Paulo.
A repercussão dos incidentes negativos chegaram a barrar no limite do respeito e integridade moral. Na segunda, a edição do Jornal da EPTV trouxe, claro, a abordagem dos tristes incidentes com uma entrevista esmagadora contra o acessor de comunicação da Tusca onde o mesmo declarou que a organização cumpriu com todas as determinações mas os abusos e a responsabilidade individual de cada participante não cabe a organização e sim para a polícia local. De fato, abusos e baderna partem de indivíduos que participam do evento e no meu entender existe a polícia e a lei para exatamente punir estes atos, as pessoas necessitam responder por seus atos e neste casos foram poucas que mancharam um evento.
Ainda, na entrevista, a própria repórter se excedeu querendo atribuir a culpa dos incidentes para a organização. O caráter jornalístico da Globo de São Carlos foi parcial e não vi em momento algum uma abertura para defesa do evento. O site São Carlos Agora foi mais afundo e trouxe as notícias carregadas de sensacionalismo que alimentou o que muitos desejavam, tragédia e notícias ruins para então criticar e ter respaldo. Todas as notícias a seguir tiveram alguma associação com os eventos da Tusca como a apreensão de drogas próximo ao CEAT onde se lia “Grande apreensão de drogas próximo da Tusca” ou ainda sobre o estudante que atropelou uma senhora na Vila Marcelino “…o estudante voltava da Tusca“. Neste último caso, fica mais claro a responsabilidade individual onde não necessita destacar como prioridade a Tusca, como tratou a matéria.
O pior esta por vir… como já destacamos, a Prefeitura foi praticamente obrigada a proibir o evento, não deixando abertura para uma negociação ou discussão. O poder legislativo foi ainda mais afundo, encabeçados pelos vereadores Julio Cesar e Marquinho Amaral decidiram por lei proibir a realização do CORSO ou qualquer outro evento similar realizado pelas Atléticas CAASO ou Federal. A repercussão que chegou até mim foi que um dos projetos de lei proibiria qualquer evento com trio elétrico em São Carlos, o que automaticamente colocaria em cheque a realização da Parada Gay de São Carlos, mas depois chegamos a conclusão que o projeto em questão não ameaça a Parada Gay.
Os projetos de lei em questão são inconstitucionais e fere o direito a expressão. Julio Cesar e Marquinho Amaral desejam mais fôlego para estas repercussões e fazem a vontade da população mais ignorante de São Carlos que na sua covardia lota os sites jornalísticos de São Carlos com mensagens que caberiam inclusive processo. São Carlos passa por um momento muito perigoso onde o trabalho social de muitas pessoas corre perigo pois a intolerância e o conservadorismo estão ganhando respaldos e sendo estimulados.
Mais uma vez, a responsabilidade dos nossos atos foram esquecidos e como sempre, atribuídos a outra pessoa. Creio que este comportamento faz parte da nossa “cultura social” onde a responsabilidade é sempre do próximo, nunca nossa… é fácil culpar os outros. Assim foi com o CORSO, é fácil esquecer a responsabilidade de cada um, do limite de cada um, é mais fácil culpar a organização que pessoas sem limites. Ahhhh e claro, a mídia agradece.





